Uma viagem espiritual: caminhada até Fátima, 130 kms

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Apesar de ter sido criada com base na fé católica, numa fui uma pessoa muito crente. Só que a vida por vezes mete-nos em situações, em que temos que nos agarrar a alguma coisa. Foi o que me aconteceu há uns anos atrás, quando perante um problema de saúde do meu sobrinho, desesperada, prometi ir a pé a Fátima. Penso que no momento, nem pensei o que isso implicava, mas tal era a angústia que o prometi. Ele recuperou e quer tenha sido ou não por graça divina, não podia voltar atrás com a minha palavra, assim cinco anos depois, decidi cumprir a promessa. Logo eu, que sempre fui uma pessoa, que era e sou contra este tipo de sacrifício… “Deus não nos quer a passar por este sofrimento” é o que tenho para mim. Mas a verdade é que foi das experiências mais enriquecedoras a nível espiritual que tive.

A caminhada começou às 6h da manhã de uma segunda-feira e só terminou quatro dias depois. Todos os dias fazíamos uma média de 35 quilómetros. No primeiro e segundo dia, sentia-me cheia de energia e motivação, apesar da constante chuva e das bolhas que teimavam em aparecer nos pés. Mas o terceiro dia, aí o terceiro dia… foi o desespero, o corpo não dava mais, unhas dos pés a caírem, bolhas que teimavam em voltar a encher, ciática nas ancas, tornozelos de tal forma inchados, que mal cabiam nos ténis… tudo me doía, descobri dores em sítios que nem sabia que existiam… Só a alma não me doía e foi ela que me manteve focada o resto da caminhada. Perdi o número de vezes em que pensei desistir, mas olhava para o lado e via alguém em maior sofrimento, o que me levava a minimizar o meu.

Conheci pessoas incríveis, que vão ficar para sempre no meu coração e que sem elas não tinha conseguido…

O pior dia tinha passado e já só pensava chegar a Fátima. Com esse objetivo na cabeça, as dores minimizaram e todo o sofrimento ficou esquecido.

Fátima é “a capital” dos católicos em Portugal e a chegada ao Santuário foi fenomenal. As lágrimas não paravam, não consigo explicar porquê, se foi do alívio de ter terminado com sucesso e ter-me superado como ser humano, se foi de finalmente me sentir em paz.

Abraços, beijos, palavras de amor e amizade foram trocadas, promessas para a vida. Eu sentia-me bem comigo e grata por ter tido esta experiência. Passei a dar mais valor a quem embarca nesta caminhada, sem fazer julgamentos.

Foi a experiência mais dura a nível físico da minha vida, mas também a mais gratificante a nível espiritual e mental.

Não há palavras para explicar o que se sente, é muito forte…

Nunca vou conseguir agradecer o suficiente a todos os que me acompanharam nesta jornada, aos que tratavam das minhas mazelas físicas, aos que animavam as minhas lutas psicológicas, aos que cantavam comigo, aos que não me deixavam ficar para trás, aos que mesmo longe estavam sempre perto… A todos um muito obrigado, hoje a vida tem um novo significado e vocês vão sempre ser parte dela…Peregrinos da Fé, da Paróquia de Loures: somos fortes!

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Reportagens da nossa caminhada, emitidas no programa Você na TV, TVI: Aqui e aqui

Uma peregrinação é uma jornada realizada por um devoto de uma dada religião a um lugar considerado sagrado por essa mesma religião.

Para peregrinar há que ter em conta que não se trata apenas do acto de caminhar (no caso da peregrinação a pé), ou executar um trajecto com um determinado número de quilómetros; é reconhecido que peregrinar carece caminhar-se motivado “por” ou “para algo”.

A peregrinação tem, assim, um sentido e um valor acrescentado que é necessário descobrir a cada pessoa que a executa.

In Wikipédia

 DICAS PARA UM PEREGRINO NOVATO:

– Calçado confortável, usado e acima do número que calça,

– hidratar bem os pés, por exemplo com pomada halibut,

– colocar pensos higiénicos com almofada dentro dos ténis, vai reduzir o impacto do pé no chão e absorver a água caso chova,

– fazer caminhadas de preparação no mínimo um mês antes,

– para a chuva levar uma capa que vá até aos pés e que tenha capuz, para o sol levar muito protetor solar, água termal e um chapéu,

– se for num grupo organizado com carro de apoio, tente transportar consigo o mínimo possível,

– comer bananas para as caibras,

– levar sempre um par de meias extra para trocar durante a caminhada,

– o melhor tratamento para as dores durante a caminhada é o picalm e o voltaren,

– colocar os pés em água morna com sal uns dias antes,

 O que não pode faltar na sua mala: agulha, linhas de cozer (para tratar das bolhas), discos de algodão, ligaduras, betadine, pomada halibut, voltaren, picalm, spray c-max, comprimidos para revestimento do estomâgo e comprimidos anti-inflamatórios, pensos higiénicos almofadados…