Rio de Janeiro: A Cidade Maravilhosa

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Em 1913, a escritora francesa Jane Catulle Mendès publicou um livro de poemas dedicado ao Rio de Janeiro, ao qual chamou “La Ville Merveilleuse” (Cidade Maravilhosa), homenageando a beleza natural da cidade. Mais tarde, em 1935, André Filho compôs a marcha Cidade Maravilhosa para o Carnaval, passando a ser o hino da cidade.

Aliás, quem não conhece? “Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil… Cidade Maravilhosa, coração do meu Brasil!…”

Considerado o destino mais visitado de toda a América Latina, a cidade conta com seis milhões de habitantes.

A verdade é que nunca tive muita curiosidade em conhecer a cidade, talvez, porque já sentia que a conhecia de certa forma, por ter sido durante anos uma assídua telespetadora das novelas brasileiras.

Mas perante o convite de uma amiga, achei que seria a altura ideal para tirar as minhas conclusões.

Três amigas com um único objetivo: descansar, comer bem e apanhar muito sol. E foi mesmo isso que fizemos!

LOCAIS QUE VISITEI:

PRAIA DE IPANEMA

Como fiquei instalada num hotel frente ao posto 8, esta foi a praia que frequentava diariamente. O ritual era acordar às 6h para uma caminhada até à praia do Leblon, pelo calçadão. Tomar um bom pequeno almoço e passar o dia numa espreguiçadeira na praia. O hotel disponibilizava-nos tudo, desde água, a espreguiçadeira, até guarda-sol. Mas de qualquer forma, pode ir sem nada, que tudo se aluga no areal. Passar fome, também não passa, porque estão a passar constantemente vendedores ora com queijo grelhado, ora com camarão frito, ora açai, ora salgadinhos…Vendem também bikinis, vestidos e até mesmo colchas (imagine-se). O chato é que são tantos vendedores a pregoarem, que dificilmente consegue fechar o olho para dormitar.

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thumb_P_20160125_154013_1024_Fotor thumb_P_20160127_081950_1024_FotorP_20160126_163648Por azar apanhei dias com ondas de tal forma grandes, que um dia o helicóptero de salvamento teve que ir tirar alguns banhistas ao mar.

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PRAIA DO GRUMARI

Praia frequentada por famosos, principalmente por ser de difícil acesso. Entra-se numa zona de propriedades privadas (no Brasil, a zona sendo privada, os seguranças não podem impedir as pessoas de entrarem) e tem que se descer muito até chegar à praia.
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– CORCOVADO / CRISTO REDENTOR

Fui bem cedo com uns amigos que vivem na cidade e que fizeram a delicadeza de me mostrarem os pontos altos da cidade. Pode-se ir de carro até a um ponto, depois compra-se os bilhetes, que incluem a ida até ao Corcovado num autocarro. Por azar, estava nublado e não consegui tirar grandes fotos da vista, mas o Cristo Redentor ainda apareceu nas fotos. Aberto das 8h às 18h, com preços entre os 12 (3€) aos 65 reais (16€), dependendo do meio de deslocação usado, porque pode vir de autocarro desde Copacabana.

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– PÃO DE AÇÚCAR

O dia teimava em continuar nublado, pelo que não andei, fiquei apenas a observá-lo. Não tive grande pena de não ter andado, até porque tenho medo de alturas. Aberto das 8h30 às 19h30, com o custo de 76 reais (19€) os adultos e 38 reais (9,50€) as crianças a partir dos 6 anos.

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ARCOS DA LAPA

A entrada no bairro da Lapa é marcada pelos Arcos. Já dentro do bairro encontra a Escadaria Selarón. Ainda pensámos em jantar por ali, mas não nos sentimos seguras e parámos apenas na escadaria, tendo o taxista alertado que ficaria à nossa espera, para estarmos mais descansadas.

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– ESCADARIA SELARON

Esta escadaria é uma das atrações da cidade, com os seus azulejos coloridos. São 215 degraus ao longo de 125 metros. As escadas foram forradas a azulejo por Jorge Selaron, um artista chileno radicado no Rio de Janeiro, que morreu em 2013. O seu corpo foi encontrado queimado na escadaria.

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JARDIM BOTÂNICO

O jardim botânico tem uma grande variedade de fauna e flora, servindo de base para muitos estudos.

Pode ficar apenas pela zona da restauração e não paga entrada, ou optar por visitar o parque e aí já tem que pagar uma taxa de 10 reais (2,50€).

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Nós fomos apenas almoçar ao restaurante “La  Bicyclette” que é um género de bistrô francês com diferentes tipos de pão caseiro. Foi uma boa surpresa quer pela qualidade da comida, como pelo preço em conta.

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Ainda fomos ver a exposição sobre a vida do compositor Tom Jobim.

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 – FORTE DE CAPACABANA

A vista do forte para a praia de Copacabana é muito bonita. Vale a pena ficar um pouco na esplanada a apanhar ar e aproveite para comer na pastelaria Colombo, uma das mais famosas da cidade. Existe ainda outra no Centro da cidade, com uma decoração antiga, que faz as delicias dos turistas. Uma das estrelas da casa é a Empada de Palmito (é um caule retirado do miolo de tipos específicos de palmeiras), comi e gostei.
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– CATEDRAL METROPOLITANA DE SÃO SEBASTIÃO

Em forma cónica, esta igreja, acaba por chamar a atenção pela sua estrutura pouco comum. Por azar, já estava fechada quando cheguei, mas acredito que o interior seja igualmente interessante.

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LAGOA RODRIGO FREITAS

Esta lagoa é muito conhecida e uma das áreas mais procuradas pelas famílias para fazerem jogging ou darem passeios de bicicleta.

Tem 9,5 kms de contorno e está ligada ao mar pelo canal do jardim de Alá, separando o Leblon de Ipanema.

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ONDE COMER:

POMAR ORGÂNICO – Situado no Itanhanga Center, este restaurante prima pela comida saudável, baseada em produtos orgânicos, sem lactose e sem glúten. Aberto ao público desde 2014, nasceu do sonho de 4 amigos (duas chefs de cozinha especializadas neste tipo de culinária e dois famosos atores brasileiros, Giovanna Antonelli e Reynaldo Gianecchini) criaram algo que desse uma alimentação alternativa e mais consciente.

Conta ainda com uma mercearia de produtos biológicos. Apesar de ainda não me ter convertido a este estilo de vida, gostei muito, a comida está bem saborosa.

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VIA SETE – Um dos meus preferidos, com opções de comida saudável deliciosa, sendo o mais pedido os combinados de carne, que dá para escolher os acompanhantes e onde a salada de batata é muito boa. As sobremesas são de comer e chorar por mais. Tente comer no deck, que quando corre uma brisa sabe muito bem. Uma dica para as mulheres, fica mesmo em frente de uma loja de sapatos da Schutz.

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SUSHI LEBLON – Um dos melhores sushis da cidade, frequentado por vários artistas. Aconselho tudo.

Sushi Leblon, Rio de Janeiro, Brazil

RUBAIYAT RIO – Na rua em frente do jardim botânico, este restaurante fica no clube de jóquei. Tente ficar num lugar mesmo junto ao campo de corridas, que se for dia de corrida vai ser bem emocionante. O serviço irrepreensível, assim como a comida. Não deixe de comer a carne que vem da fazenda deles, uma delícia! Guarde espaço para as sobremesas, porque mesmo que não peça, vem sempre um prato com variedade de bolos a acompanhar o café.

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MARIUS – O que dizer deste restaurante? É para turística ver, com um preço fixo de buffet de 210 reais (52,50€) por pessoa, excluindo bebida. A decoração é única e só por isso vale a visita. A carne servida é muito boa e pode ainda deliciar-se com caviar e ostras. O que acaba por justificar o preço elevado. Não deixe de ir à casa de banho, nem que seja para ver a decoração e não se assuste com o chão de grãos de café. Nota 10 para os empregados pela simpatia.

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BRIGADEIROS CAROLINA SALES – Para os amantes de brigadeiros, estes são dos melhores e vêm servidos em copinhos de plástico. Uma verdadeira delícia.

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O QUE COMPRAR:

HAVAIANAS E IPANEMA – Estas duas marcas são muito fortes, não fossem elas brasileiras. Encontram-se lojas em vários pontos da cidade e até se vendem chinelos da marca nos quiosques de revista. Vai encontrar uma enorme variedade de chinelos e a preços bem mais baixos do que no resto do mundo. O modelo que costuma comprar, o Slim, costuma custar 23 euros (92R$) em Portugal e no Brasil paguei 7 euros (28 R$). Vim carregada com chinelos para mim e para a família, se me parassem na alfandega iam pensar que ia abrir uma banca para os vender.

–  TÉNIS ALL STAR – Como fã destes ténis, aproveitei para comprar dois pares, já que custam 25 euros (100 R$) em comparação aos 60 euros (240 R$) em Portugal.

BIKINIS ADRIANA DEGREAS (a mais conhecida marca de moda de praia brasileira, sendo conhecia internacionalmente) e LENNY NIEMEYER.

SAPATOS NA SCHUTZ (com modelos bem diferentes e confortáveis, esta marca de renome internacional, tem muita procura. Apesar dos elevados preços, marcam pela diferença e se não quiser gastar tanto dinheiro num par de sapatos, espere pela época de saldos).

LIVROS NA LIVRARIA DA TRAVESSA – Visitei a loja do Barra Shopping e fiquei fã, pela quantidade e diversidade de livros que vende. Se há algum livro que procura há muito tempo, acredite que aqui vai encontrar.

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BILHETES DE TEATRO PARA O “OI CASA GRANDE” – Esta casa de espetáculos fica no Shopping Leblon e tem sempre peças de teatro muito boas. Costuma ter casa cheia. Assisti a duas peças, “A Casa dos Budas Ditosos” com a Fernanda Torres e “30 Anos de Raia” com a Cláudia Raia e adorei.

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ONDE DORMIR:

Ficar num hotel no Rio de Janeiro não é barato, principalmente se for nos melhores hotéis da cidade, mas que vale a pena, vale, nem que seja uma vez.

COPACABANA PALACE – Na primeira linha da praia de Copacabana, este hotel é conhecido por receber todos os grandes nomes internacionais e por ser o local com a festa de Carnaval mais na moda.

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FASANO HOTEL – Na primeira linha da praia de Ipanema, este hotel atrai principalmente uma clientela mais jovem. A piscina no topo do edifício com vista sobre todo o calçadão torna-se o bastante atrativo.

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DICAS GERAIS:

– Pode optar por conhecer a cidade alugando um táxi, combinando logo à partida um preço;

– Tente não andar com muitos bens materiais, porque a cidade é perigosa. Eu nunca me senti insegura, mas se calhar tive sorte, porque os meus amigos que lá vivem contaram-se situações bem assustadoras;

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– Se quer andar no calçadão aconselho bem cedo, pelas 06h ou ao fim do dia, porque com o calor torna-se insuportável;

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– Aproveite para ir aprender samba numa escola de samba. Não o consegui fazer, mas com a minha falta de jeito para a dança, acho que nem mesmo com aulas ia lá…

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– Não se perca, porque sem dar conta pode estar a entrar numa favela, já que elas ficam ao lado de bairros de luxo. A Rocinha, conhecida por ser a maior favela com 70 mil habitantes, fica mesmo ao lado dos prédios nobres de São Conrado;

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– Beba água de coco numa das muitas barraquinhas que existem ao longo do calçadão.

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Descontraia e deixe-se ir no “samba” dos brasileiros, com o seu jeito “quente” de falar. Porque o Brasil é mesmo isto, clima quente, pessoas simpáticas, boa comida, bom “pé” de dança, mas também muita pobreza e muita corrupção. Mas sem isto, será que a cidade maravilhosa o continuaria a ser?

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