Maiorca, a grande surpresa das Baleares

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A hora e meia de avião desde Lisboa, a maior ilha das Baleares, nunca foi um destino que me atraísse. Talvez porque sempre que ouvia falar desta ilha, associava-a a pessoas bêbedas, muita confusão, euforia, como se de uma colónia de férias de jovens desesperados por “encher” a cabeça e somar conquistas amorosas, se tratásse.

E tudo isto não deixa de ser verdade, se estivermos a falar de Magalluf ou da zona do Arenal. Mas Maiorca é muito mais do que isto, só há que saber escolher a zona onde se fica e o tipo de experiência que se pretende ter.

Depois de alguma pesquisa, percebi que o Norte além de ser uma zona mais calma, tem praias de sonho e decidi passar uma semana em Cala Ratjada. Mal me instalei e dei uma volta pela localidade, fiquei rendida. Afinal a ilha é tão “rica”, mas tão mal explorada e promovida. Sempre pensei que fosse o “parente” pobre das Baleares, mas estava redondamente enganada.

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Andar a pé pela zona é uma boa opção e dá para alcançar praias espetaculares:

As minhas praias em Cala Ratjada

SON MOLL – perto da zona central, junto à avenida que percorre a linha costeira, é uma praia muito concorrida, principalmente por quem não está para andar muito.

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AGULLA – No lado oposto a Son Moll, junto a um pinhal, está a praia de Agulla, a praia com maior areal da zona. Apesar de ser mais extensa, também costuma estar cheia, com grupos de várias faixas etárias (mas muitos grupos de homens ou de mulheres), sendo que alguns deles ruidosos, apetrechados de música que fazem questão de partilhar com todos os ocupantes da praia. A dada altura é uma confusão de sons, que uma pessoa fica baralhada…Tem bares de apoio, o que facilita quando a sede aperta. Também se vende fruta na praia (melancia, ananás e coco).

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– CALA LITERAS – Logo a seguir a Agulla, mas composta por rochas. A água é de uma beleza natural e convidam a entrar, mesmo sem grande espaço de areia. Existe apenas o género de uma cova, com bar de apoio e escola de mergulho.

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– CALA GAT– Para mim a grande surpresa, esta pequena praia com uma água de 4 tons diferentes de azul. Ambiente mais familiar, mas dado o ser pequena, está sempre lotada. Tem um pequeno bar de apoio, com espreguiçadeiras a alugar por 5 euros o dia.

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– CALA SA FONT – À saída de Cala Ratjada encontra esta praia, que apesar de pequena em comprimento, até tem largura de areal. É usada principalmente pelas pessoas que estão nos hotéis da proximidade e tem um ambiente familiar e tranquilo.

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LOCAIS A VISITAR EM PALMA DE MAIORCA:

E porque Palma de Maiorca tem mais do que praias para ver, peguei num carro e lá fui à descoberta.

CA’N PICAFORT – tem uma praia de extenso areal, que é percorrida por uma avenida onde ficam hotéis e restaurantes. A praia é boa, mas costuma ter grandes grupos de jovens, o que acaba por torná-la mais barulhenta.
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ALCUDIA – Zona de praia muito bonita, com destaque para a Playa de Muro. Esta praia tem um longo areal, mas é larga e com espaço para estender a toalha, sem ter que andar a pisar pessoas. Água transparente, com pequenos peixes, massagens na praia e tem uma zona onde pode embarcar em direção a outras zonas de praia. Apesar de ser uma zona turística, fiquei com a sensação que é um turista civilizado que a frequenta.

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Na zona histórica, encontra casas e comércio dentro de paredes medievais. Todo o espaço está bem conservado e pode percorrer parte das muralhas na parte superior, dando-lhe um bom ângulo de visão.

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VALLDEMOSSA – Na outra ponta da ilha, mas perto de Palma, Valldemossa fica na zona de montanha e é um local a não deixar de visitar. As casas em aglomerado, feitas em pedra clara, todas bem conservadas e com vasos no exterior, fazem as delicias dos visitantes. Toda a povoação está bem cuidada e tem sítios interessantes a visitar. A área é pequena e fácil de percorrer a pé.

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Comece pelos jardins de la Cartuja e se gostar de exposições tem uma patente sobre Cartuja. Depois passe pela casa onde o falecido compositor Chopin passou o Inverno de 1838. Aproveite para ir até a um miradouro, passando pelo palácio del Rey Sanç. De seguida volte à Plaça Ramon Llull (onde estão imensos restaurantes) e comece a descer em direção à casa da padroeira da terra Santa Catalina de Thomas. Um detalhe que adorei, foi ver na entrada de todas as casas um azulejo a pedir proteção à Santa. Os azulejos têm pinturas diferentes, mas todas alusivas à Santa e com o sentido de proteger a casa e a família.

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Era capaz de passar horas nas esplanadas que percorrem as ruas, apenas a apreciar o momento e o local… Aqui se entende o porquê de Michael Douglas e Catherina Zeta Jones terem uma mansão nesta localidade…

Dica importante: na estrada que liga à povoação pare o carro para tirar foto da vila. Chegando à vila tem logo o posto de turismo local, aproveite para ir pedir um mapa orientativo do que deve ver.

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PALMA – A capital da ilha fica no sul e é interessante visitar, nem que seja para ir até à zona antiga ver a catedral e o palácio. As ruas coloridas e estreitas, com lojas únicas, fazem da cidade uma atração. Se for de carro, pode estacionar num estacionamento pago, eu estacionei no parque da Plaza Mayor, que é um bom ponto de partida para visitar a pé as zonas turísticas da cidade.

Limpa e organizada, Palma tem as ruas cheias de turistas. O facto de estar junto ao mar, dá-lhe uma brisa que ajuda a combater os dias quentes e secos.

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LAS CUEVAS DEL DRACH EM PORTO CRISTO – A visita às grutas demora 1 hora e custa 15 euros por pessoa. Assim quando compra o bilhete, pode ter que ficar algum tempo à espera de iniciar a visita, que acontece sempre à hora certa. Vale a pena, porque as grutas estão muito bem mantidas e são de uma beleza incrível. O circuito percorre 1200 metros e tem ainda direito a um concerto de música clássica durante 10 minutos. A meio da gruta sentam o grupo numa espécie de auditório, apagam as luzes e pela zona de água surgem três barcos iluminados, estando os músicos num deles a tocar. É importante haver silêncio, porque como não se pode amplificar o som, ouve-se muito baixo. Como devem imaginar, é quase uma missão impossível, tendo em conta que há sempre crianças nestas visitas. Terminado o concerto de dez minutos, quem quiser pode fazer uma pequena parte do percurso de barco ou seguir por uma ponte. Confesso que fiquei feliz de não ter ido de barco, porque o tempo que se espera, para o mínimo tempo que se anda, não compensa.

Há estacionamento para os carros na entrada do local da visita.

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PORTO CRISTO – Ainda em Porto Cristo, tem uma praia com um pequeno areal e um porto com diversos barcos.

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CALLA MILLOR – Uma zona mais turística, com um calçadão ao longo de uma grande extensão de praia. A praia está muito limpa e a água convida a um mergulho.

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AS PRAIAS “ESTRELAS” DA ZONA SUESTE DA ILHA:

CALA MONDRAGO – Esta praia fica no parque natural de Mondrago e para ter acesso tem que estacionar o carro num parque onde paga 5 euros ao dia e depois encarar uma descida de 350 metros. Vale a pena, porque estas condicionantes “selecionam” o tipo de pessoas que a frequentam. Vai encontrar principalmente famílias com crianças.

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CALA LLOMBARDS – Também na zona de Santanyí encontra esta praia que é de uma beleza irrepreensível. Aconselho a ir de carro, mas deixe na parte de cima e desça o resto a pé por umas escadas. Se não quiser andar mesmo nada, tem estacionamento na entrada da praia, mas a estrada até lá chegar é acentuada e depois para subir, principalmente se tiver alugado um carro com pouca força, faça o caminho todo de seguida, com a primeira mudança posta e sem parar, porque corre o risco do carro depois de parar não ter força para subir… O areal também é pequeno, mas tem sempre a opção de se estender nas rochas. Existem escadas em alguns pontos, presas às rochas, podendo saltar para a água.

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CALA S’ALMUNIA – Esta praia fica perto da Cala Llombards, com o problema de não ter sinalização a indicar o caminho. Os carros andam meio perdidos e grande parte vai dar a um beco, onde encontrará uma placa improvisada e explicar o caminho. Tem que deixar o carro no alto, depois segue pelo meio de uma mata até chegar à água. Apesar de valer a visita, pela beleza e pela cratera que vai encontrar numa rocha, como se fosse um olho, não há zona de areia para estender a toalha. Assim, algumas pessoas improvisam onde há espaço.

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CALA DES MORO – Uma das mais bonitas praias, chega-se através do caminho até à Calla S’Almunia. Também se entra pela mata, mas pelo lado oposto à S’Almunia. Ver a praia do alto é um sonho, depois tem que descer por umas rochas e lutar por um espaço para meter a toalha, o que não é fácil, porque tem mesmo muito pouco areal.

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DICAS

– Andar a pé pelos centros das localidades, que é fácil, quase tudo gira à volta de uma avenida principal.

– Alugar carro na Hiper Rent a Car, mas fazê-lo online (https://www.hiperrentacar.com/es/) e 24 horas antes, porque se consegue um preço muito inferior. Ao balcão pedem 72 euros por 2 dias e online custa 39 euros, um carro de classe económica. Têm 10 balcões espalhados pela ilha. Cedem-lhe um mapa que irá ser muito útil nas deslocações, evitando ter que pagar 7 euros ao dia por aluguer de GPS. Aventure-se, porque as estradas não são assim tantas.

– Existem muitas lojas da Clarel, pelo que escusa de vir carregada de produtos de higiene, porque nesta loja encontra tudo a preços bem simpáticos, desde pasta de dentes, a shampoo, passando por protetores solares, até maquilhagem.

–  Tome nota que esta parte da ilha está toda virada para o mercado alemão e não se espanta se na maioria das vezes, os anúncios, os menus, as indicações, entre outros, estiverem em alemão. Traga euros consigo ou cartão para levantar dinheiro, não vá cair no erro de trazer outra moeda, por exemplo libras, que nesta zona não consegue trocar.

BALANÇO FINAL

Toda a zona Norte e Este da ilha, são a meu ver as mais bonitas e mais “civilizadas”, onde conseguirá descansar e ver paisagens de sonho. Sempre que me falam de Maiorca, nunca ninguém me tinha transmitido o quão bonita a ilha era, talvez porque a maioria das pessoas fica na zona do El Arenal e em Magalluf, zonas conhecidas por acolher grupos de jovens que vão à procura de diversão, acabando por não conhecer o que de bom a ilha tem para oferecer.

Ficou ainda muito por visitar, principalmente a zona a Nordeste de Formentor, que também me falaram maravilhas, mas assim, sempre fico com algo que possa ver na próxima visita.

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