Bali – A ILHA DOS DEUSES

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A palavra Bali, com a qual a ilha foi baptizada no século IX, deriva da palavra Wali. Wali ou Wari era o termo com o qual os nativos chamavam ao acto de adoração, o “sacrifício oferecido ao deus”, a “adoração”, o “culto” ou “oferenda”.

Como é sabido, ao contrário do resto do país, Bali possui raízes na cultura hindu, tornando-se pela sua peculiaridade uma das mais interessantes regiões/ilhas da Indonésia. Bali é mística e considerada por muitos um paraíso, o local onde desperta o mundo.

Uma ilha de mil destinos

Há tanto para viver que seria redutor escrever sobre tal. Em Bali você pode perder-se no caos de Kuta, nos clubes de praia de Seminyak ou nas ondas de Canngu. Você pode ter um clima mais familiar – Sanur – ou deliciar-se com um refúgio luxuoso em Nusa Dua. Nadar nas melhores praias em Bukit e apanhar as melhor ondas da ilha. Prove o melhor café do mundo, ande de elefante, nade com tartarugas, banhe-se em águas vulcânicas. Aqui você vai viver!

No coração de Bali, onde a arte e a cultura marcam encontro, Ubud nunca deixará de ser um excelente destino. Para Oeste, não perca os mais belos campos de arroz, o famoso Tanah Lot e a Eco Beach. A leste, os monumentos antigos, os palácios, os famosos pontos de mergulhos ou as praias ainda virgens. A norte, os famosos golfinhos de Lovina; na zona central, os vulcões, os lagos e as montanhas com os seus enigmáticos templos.

A sua alma

Bali tem tudo isto mas é a essência de Bali – a suas gentes – que a torna num local que vai muito além da diversão e passeio. De uma simplicidade e simpatia nunca vistas, as gentes de Bali vivem para si, trabalham para si e empenham-se verdadeiramente na arte de o bem receber.

A mais simples referência a Bali evoca em nós pensamentos de um cenário paradísico. Bali é isso tudo. É mais que um lugar; é um estado de espírito, é uma constante viagem interior e um local onde sente que não está só, há algo sempre consigo…é a Ilha dos Deuses.

Para segunda visita à Ásia, o país escolhido foi a Indonésia. Já tinha ouvido falar tanto de Bali, porque não aproveitar a oportunidade?

Dados Gerais sobre a ilha

– É a ilha mais famosa da Indonésia, com os seus cenários de montanha e as suas praias que fazem as delícias dos surfistas.

– A capital provincial é Denpasar que fica no sul da ilha e é onde se encontra o aeroporto internacional.

– Comida típica é o Nasi Goreng, que consiste em arroz frito (nasi = arroz / goreng = frito) com frango ou legumes ou marisco ou ainda outro tipo de carne.

– A maioria da população é hindu, isto é, acreditam num espírito supremo cósmico, que adoram de muitas formas e que é representado por divindades individuais.

– Tem uma das zonas onde encontrei maior paz de espírito, Ubud, terra celebrizada no filme “Eat, Pray, Love”, protagonizado por Julia Roberts.

O QUE VISITAR:

UBUD

Confesso que fiquei apaixonada por esta localidade desde que vi o conhecido filme da Julia Roberts “Eat, Pray, Love”.

Assim, mal aterrei no aeroporto de Denpasar, já perto da meio noite, dirigi-me às saídas em busca de um táxi.

A 35 quilómetros do aeroporto, conte sempre no mínimo com uma hora para chegar a Ubud.

A Condé Nast Traveler votou a cidade como sendo uma das mais fascinantes da Ásia e depressa percebi porquê. Tudo emana uma vibração positiva e relaxada, sendo o local ideal para fugir ao agito das cidades turísticas de praia.

Rodeada de natureza e ainda mantendo algumas tradições, como por exemplo, a rotina diária de colocarem na entrada dos espaços públicos altares de devoção aos deuses, faz deste um local único e que não pode mesmo deixar de visitar.

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SACRED MONKEY FOREST UBUD SANCTUARY

O primeiro passeio enquanto estive em Ubud foi à Monkey Forest, que ficava a poucos passos do hotel. Quem como eu tiver receio de macacos, cuidado que os que encontra neste santuário são atrevidotes e gostam de roubar.

Antes de entrar no parque, comprei bananas, que estavam a vender à entrada, mas guardei-as na mala e só as dei aos macacos, quando já me estava a sentir mais “confiante” perto deles.

A Monkey Forest é uma reserva natural que abriga cerca de 340 macacos, pertencentes a cinco grupos de macacos diferentes. Visitada por mais de 10 mil turistas por mês, localiza-se na estrada principal.

O macaco é visto como sagrado para o povo, como tal tem lugar de destaque nesta floresta.

Tenha atenção para não se desviar do caminho marcado, não vá correr riscos, porque por mais simpáticos que os macacos possam ser, se sentirem que está a invadir o território deles, podem ter uma atitude mais agressiva.

A visitar das 8:30 às 18:00 por 50.000 IDR = 3,43€

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UBUD MARKET

Ubud tem dois mercados, um dedicado à venda de bens alimentares e outro mais virado para os turistas, que vende artefactos feitos à mão.

O mercado está no coração da vila e pode ser visitado das 08:00 às 18:00.

Os produtos à venda são de boa qualidade e vale mesmo a pena perder algum tempo a visitá-lo. Não resisti e comprei mais umas echarpes para juntar às que já me ocupam duas gavetas do guarda-roupa…. Regateei relógios e os ímanes que me pedem sempre para trazer.

Este mercado serviu também de cenário ao filme “Eat, Pray,Love”, com a Julia Roberts.

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Julia Roberts e Javier Bardem no filme “Eat, Pray, Love”

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A regra é regatear sempre!

LEGONG AND BARONG DANCE

Toda a trama é contada por gestos do corpo, das mãos e movimentos de olhos e cabeça, representando a luta entre o bem e o mal.

O espectáculo tem quatro atos e no fim, dois homens dão vida a um monstro, ficando um na cabeça e outro na cauda.

Apesar de ser muito turístico, vale a pena, nem que seja para conhecer melhor um pouco da cultura do povo.

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SARASWATI TEMPLE

Saraswati Temple fica em Ubud e é também conhecido pelo templo de Lótus.

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GOA GAJAH E A CABEÇA DO ELEFANTE

Goa Gajah ou Elephant Cave são os nomes usados para um só local. A seis quilómetros de Ubud, a entrada é decorada com a cabeça do demónio Kala, uma figura típica balinesa.

Desça as escadas até ao lago Partirtaan, onde se acredita que a água é sagrada. Vai ainda encontrar uma árvore cheia de ramificações, que diz-se ser a árvore da sabedoria balinesa.

A entrada é de 30.000 IDR = 2.05 €

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ISTANA TAMPAK SIRING – O TEMPLO DAS ÁGUAS SAGRADAS

Outro do ex-libris de Bali é este templo, também conhecido por Holy Spring Water Temple. Este templo hindu está localizado nos meio de dois vales, onde os locais se banham para tirar do corpo os maus espíritos e purificarem o corpo e a mente.

É um local sagrado e como tal, deve-se estar vestido de forma apropriada, com as pernas tapadas.

É interessante assistir e se tiver coragem banhe-se também, pode ser que a água também lhe dê um novo espírito.

Não sei se influenciada pela história do local, mas a verdade é que aqui senti-me em paz e ainda hoje tenho na cabeça a imagem de dois crentes a rezarem num espírito de harmonia.

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 GILI TRAWANGAN

Apesar de Bali oferecer muitas praias, para mim as melhores são as que ficam nas ilhas Gili. Contratei um táxi que me levou até ao porto de embarque, onde apanhei um speedboat para uns autênticos dias de descanso à beira mar. Ver artigo sobre as Gili aqui.

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PRAIA DE PADANG PADANG

Esta é uma das praias mais famosas da ilha e especialmente apreciadas pelos surfistas. A areia branca e água azul atrai turistas, tornando-se, por vezes, muito cheio, o que se nota mais, porque a extensão de areia é pequena.

Mesmo que não queira descer a trilha de acesso à praia, pode sempre avista-la no alto da falésia.

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MOUNT BATUR

Este monte que tem um vulcão ainda ativo, fica na região de Kintamani, no nordeste da ilha, não muito longe de Ubud. Com 1.717 metros, a subida ao cume é uma das perdições de muitos turistas. Durante duas horas percorrem um caminho que os leva ao topo e que os permite desfrutar de vistas únicas para o Mount Agung, o mais alto da ilha com 3.142 metros. Eu limitei-me a vê-lo de longe.

Almocei num restaurante com uma vista privilegiada, mas que vale mesmo só pela vista, porque a comida não era nada de especial e muito turística. Agasalhe-se, porque conforme se vai subindo a temperatura vai diminuindo, por isso, é importante levar um casaco ou uma camisola para se aquecer. Bendita camisola de malha que me acompanha sempre!

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SATRI COFFEE PLANTATION – Kopi Luwak, um café que vale ouro

Já com a barriga cheia, fomos visitar um campo de plantação de café, que segundo nos disseram, é onde se faz o café mais caro do mundo: o famoso Kopi Luwak.

Começamos por assistir ao fabrico artesanal do café: os grãos de café são recolhidos das fezes do luwak (um animal que vive na indonésia e que parece um furão), depois de feita a digestão, os grãos são expelidos pelas fezes e, estas são lavadas, secas e torradas durante uns dias. Et voilá, os grãos do café chique estão prontos a serem moídos e consumidos.

Parece que as enzimas do aparelho digestivo desse animal provocam uma transformação do grão, deixando o café com um gosto peculiar. Eu sei que não sou propriamente uma expert em cafés, até porque não consumo, mas o sabor era intragável! Vá-se lá perceber o porquê de tanto alarido…

Para mim o ponto alto foi experimentar cafés de 8 sabores diferentes, desde chocolate, a frutos tropicais, a limão, a coco… mas devo dizer que o de baunilha foi o que me impressionou.

Esta prova é gratuita, mas se quiser provar o original, o Mangoose, terá que pagar 50.000 IDR = 3,43€

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TEGALALANG TERRACE, PERFEITOS CAMPOS DE ARROZ

Os campos de arroz são característicos de Bali. Os montes alinhados em onda e cobertos de verde fazem as delícias dos turistas, que não partem da ilha sem tirar uma foto neste cenário.

Com mais de dois mil anos, os arrozais eram preparados com técnicas primitivas, que formavam os vários degraus das montanhas e que ainda hoje se mantêm.

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TANAH LOT: POSSIVELMENTE O TEMPLO MAIS FOTOGRAFADO DE BALI

Localizado em Tabanan, a 20 quilómetros de Denpasar, o templo encontra-se no mar e consiste numa rocha que foi sendo esculpida pela água ao longo dos anos.

Tanah significa Terra e Lot significa Mar. Assente na mitologia balinesa, foi muito influenciado pelo Hinduísmo.

A área à volta tem algumas lojas que são percorridas até se chegar ao templo. Também existem crianças a vender acessórios para o cabelo.

Valeu a pena, mas o mais engraçado foi a perseguição de que aqui fui alvo. É certo que levei um vestido curto e todo colorido, mas vai dai a ter turistas atrás de mim a pedirem para tirar fotos e a filmarem-me… a verdade é que fiquei sem entender, mas por momentos senti-me uma estrela de Hollywood e tudo parou para me ver.

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ULUWATU: VISTA DE TIRAR O FÔLEGO

Em Uluwatu sofri uma nova perseguição de macacos e desta vez eram mais selvagens e violentos. Vimos um deles a roubar os óculos a um turista e uns brincos de ouro a outra senhora. Com medo lá me deslocava, mas a vista era impressionante e valia a pena desafiar os macacos.

Ir a Uluwatu é obrigatório, mais marcante que o templo é a vista que se tem da falésia para o mar. Ver o por do sol é então o ex-libris da experiência.

Às 18:00 na área do templo pode assistir a um espetáculo de Kecak Dance, por 100.000 IDR = 6,90€

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JIMBARAN

Ir a Bali e jantar em Jimbaran é uma das atrações. Jimbaran é uma aldeia piscatória com resorts turísticos e ao longo da praia existem restaurantes com marisco e peixe fresco, que pode ser comida na areia da praia.

Também é uma boa forma de assistir ao por do sol e deixe-se encantar por música ao vivo.

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KECAK FIRE & TRANCE DANCE

Este espetáculo de dança balinesa não deve perder. Comprei o bilhete num vendedor de rua e se estava relutante em ir, no fim da atuação estava rendida.

Kecak é tido como uma forma de exorcismo, para manter longe os espíritos do mal.

A atuação baseia-se no conto de Ramayana, e é uma lenda hindu sobre o príncipe Rama e a sua bonita mulher Sita. Banidos do reino pela madrasta de Rama, refugiaram-se na floresta, onde Sita acabou por ser raptada pelo demónio Rahwana, que a queria seduzir.

O conto descreve como Rama salvou a mulher, o irmão Laksmana e o rei macaco Sugriwa.

O espetáculo começava às 19h30, mas cheguei meia hora antes para conseguir um bom local (não há lugares marcados). O espetáculo feito por moradores da terra, consistia numa teatralização feita à base das roupas típicas e de cantos que me encheram a alma.

O cenário apesar de simples, é colorido e enche-se de alma, quando os atuantes recriam o conto, através da dança e do canto.

Depois desta atuação, segue-se a dança do fogo, em que um homem da vila pisa cascos de fogo enquanto enfrenta uma cabeça de cavalo. Enquanto isso, outros elementos cantam e fazem movimentos com o corpo.

É realmente um ambiente que nos deixa aconchegados e que aconselho vivamente a irem ver.

Preço 75.000 IDR = 5,13€

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DICAS:

– Se puder evite Kuta, grande confusão e com pouco para ver, só mesmo para fazer compras, mas cuidado que em algumas lojas os vendedores são agressivos e chegam mesmo a puxá-lo pelo braço;

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– A melhor forma de ver a ilha é alugando uma mota, o que dá jeito em hora de trânsito, que chega a ser caótico, ou se quiser andar mais descansado contrate um guia;

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Com o Ketut, o meu guia

– Em Ubud coma no Café Wayan & Bakery, comida caseira, deliciosa e com preço justo;

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– Aproveite para relaxar em Ubud, passear pelo centro da terra a pé, que a cada esquina se irá apaixonar por algo novo;

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– Por fim, caso tenha tempo, faça um retiro espiritual e regresse a casa de “alma lavada”

Ketut, o guia espiritual do filme
EAT PRAY LOVE
E deixe-se ir…

Ainda está com dúvidas em visitar esta ilha???

Texto escrito em parceria com Diamond Tours and Travel*